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e aí os blogueiros odeiam aqueles comentários no estilo, “legal teu blog, visita o meu”, mas fazem posts no estilo “por favor, comentem mais”. oi?


o Fabricio faz assim: ele compra somente roupas de qualidade, e não gosta muito de garimpar. ele as usa bastante, e de preferência pra sempre, mas quando elas param de caber, ou perdem a qualidade, ou simplemente não combinam mais com ele, ele as passa adiante sem muitos dramas de consciência.

eu faço assim: estou aprendendo cada vez mais a confiar na qualidade, mas ainda acredito no poder do garimpo, sempre acho que é possível encontrar verdadeiros achados onde menos se espera. e mesmo quando aquela vozinha lá dentro me diz que eu fiz uma compra equivocada, ou que a roupa não me serve mais, ou perde a qualidade, ou não combina mais comigo (às vezes nunca me serviu, ou teve qualidade, ou combinou comigo), eu insisto nela uma vez mais.

eu vejo que nosso comportamento com compras e roupas e sapatos e acessórios reflete exatamente nossos comportamentos com as outras pessoas em geral, com os nossos amigos, conhecidos, pessoas de quem a gente gosta e traz pra dentro das nossas vidas. e eu tento cada vez mais ser parecida com ele, e até acho que estou conseguindo, mas é difícil quando tu passou uma vida inteira acreditando que existem tesouros escondidos nos grandes magazines de roupa e de gente, e que esses tesouros vão te durar uma vida toda. e é BEM difícil admitir pra si mesma que errou ao investir tanto nessas roupas e nessas gentes. mas eu erro sim. eu já comprei muita porcaria achando que estava economizando, e eu já dediquei muito tempo e carinho para gente que eu deveria ter usado como as peças baratinhas que eles na verdade são.


tava aqui, tentando lembrar quando exatamente o Twitter ficou um porre e eu parei de passear por lá… ah, lembrei: foi quando as pessoas começaram a achar que eleição é greNAL, e ficaram trollando as opções políticas umas das outras. (bônus points pra cada tweet com variações de “ah, todo mundo sabe que eleitores de XYZ fizeram tal e tal para eleitores do outro candidato”, como se os eleitores do SEU próprio candidato nunca tivesse feito nada pra eleitores do XYZ, como se todo mundo fosse santinho, como se o fato de alguém escolher votar num candidato diferente do seu fizesse daquela pessoa um monstro).


eu sou tão legal que a Kirsten Dunst vem a Porto Alegre me visitar e não se importa de dormir num sofá na casa da minha tia para isto, tá? ou ao menos foi isso que eu sonhei essa noite. (e eu nem tenho tia, vejam só).


ao total, eu tenho quatro cicatrizes de pontos cirúrgicos no meu corpo. três delas são nas minhas mãos. não entendo ainda qual a facilidade que eu tenho para machucá-las, mas enfim.


e com o tempo a gente aprende que tem coisas que nos fazem mal, e que é melhor nem começá-las, que a gente não sabe lidar com o “só um pouquinho”, e que por mais prazer que elas nos dêem quando as consumimos, o dia seguinte só traz arrependimento. e quando a gente aprende isso, e aprende a cortar o que nos faz mal, a gente começa a amadurecer.


falam demais por não ter nada a dizer.


e uma das coisas que provam que esse tal de Brasileirão é sempre uma MERDA é que o Inter ganhou UM ponto nos últimos NOVE e ainda continua com chances de ser campeão. sério, é um campeonato que ninguém quer ganhar, né? fica um jogando o título no colo do outro, como se fosse uma batata quente. se pá o campeão desse ano ainda vai ser o Grêmio (o que eu muito prefiro à alternativa mais macabra de todas, que seria CUrintia campeão treinado pelo Tite. credo!, isso me dá mais pesadelos que o filme O Exorcista e o caso Bruno juntos. brrr!)


e aí eu tô voltando da academia hoje de manhã, olho para o horizonte e vejo um monte de nuvens. dois segundos depois, meu ipod começa a tocar “aquela nuvem que passa lá em cima sou eu, aquele barco que vai mar afora sou eu”. um daqueles momentos mágicos graças ao acaso que só a tecnologia moderna nos proporciona.


antissocial mode on.


(só porque eu falei neles no post anterior, e bateu saudades. e não me importava em adotar o Bacana no meu casal de 3, não.)


eu tenho inveja das pessoas que conseguem ter um relacionamento a três. toda a minha vida eu achei que esse era o número perfeito (e por “toda a minha vida”, leia-se “desde que eu assistia Armação Ilimitada“), e eu adoraria poder fazer parte de um triângulo. no entanto, eu sou absurdamente autista para relacionamentos, e só consegui ter um único bem sucedido em minha vida porque ele literalmente caiu no meu colo, senão eu seria solteirona até hoje (e a população felina da minha casa também seria bem maior). então, a não ser que a Drew Barrymore bata na porta lá de casa dia desses dizendo que não sabe mais viver sem mim e o Fabricio, eu acho que esse é um daqueles sonhos que vão ficar sem ser realizados, mesmo. which is fine, já que eu também nunca vou conseguir ganhar um Oscar ou morar em Buenos Aires, por exemplo.


eu tô ficando velha. ou então eu estou voltando aos meus 4 anos de idade, não sei ao certo. só sei dizer que nada mais que seja novo me interessa, eu só quero saber de repetição, repetição, repetição. a quantidade de filmes novos que eu assisto a cada ano vem caindo vertiginosamente (se alguém me contasse isso aos meus vinte e poucos anos, eu teria rido da cara da pessoa), meus seriados estão sendo deixados de lado de modo vergonhoso, e a pilha de livros novos para ler só aumenta. no entanto, estou sempre revendo meus filmes queridos, relendo o que me dá prazer, e reassistindo todas as séries que eu amo (mesmo com dezenas de episódios de coisas inéditas me esperando). eu tenho toda a temporada nova de Mad Men para assistir, e tenho a minha caixa de Life on Mars também; adivinha qual delas me dá vontade de colocar no DVD e me enroscar no sofá para ver? eu espero que isso seja uma fase.


gente, uma explicação se faz necessária sobre meu post sobre o horário de verão, porque eu acho que não me expliquei bem aqui: sim, eu entendo o lance da economia, blablabla, 1-5% todos os anos, blablabla, melhor aproveitamento da luz do sol, Benjamin Franklin, blablabla, horários de pico e etc. eu sempre leio isso todos os anos há 25 anos, desde que o HV foi adotado no Brasil. não é isso que eu quero dizer, que eu não entendo pra que ele existe, porque eu entendo tudo isso aí sim, não sou assim tão burrinha. conhecimento não é uma coisa tão complicada de ir atrás. eu nunca achei que inventaram o HV só pra foder com os notívagos e pronto, era isso. give me a little more credit.

o que eu não entendo (mas uma vez entendi) é o porquê de adiantar uma hora, e por que isso faz com que o dia seja melhor que antes desse adiantamente. e não que eu não entenda tudo isso que vocês me explicaram, porque eu já sabia. é diferente. é um “entender” profundo, visceral, de quando algo faz sentido INTERNO pra ti, sabe? do tipo, “ah, sim, claro, faz sentido, entendo e faria isso também, porque está super certo, veja só como o dia de hoje é um melhoramento visível com relação ao da semana passada, no horário antigo”. eu nunca havia sentido isso na minha vida, por mais que eu entendesse racionalmente por que ele existe. mas aí teve um dia no ano passado em que eu fiquei pensando numa coisa, que levou a outra, e a outra, e a outra, e quando eu vi eu estava entendendo-concordando-dando razão, capeesh? eu havia conseguido comprar a ideia, não por linhas gerais da economia e do bem estar da sociedade, mas como algo que eu via sentido concreto pra mim, no meu dia-a-dia. (mal comparando, e aproveitando o clima de eleição, é a mesma diferença entre entender o teu candidato e entender o oponente dele: tu pode entender o ponto de vista de uma pessoa, mas ainda assim não querer votar nela. não sei se dessa vez me fiz entender, mas o ponto do meu post anterior era dizer que uma vez ele fez um sentido para mim que hoje eu não consigo mais lembrar qual é, e eu gostaria de tê-lo anotado para poder ler tudo isso hoje de novo e voltar àquele lugar na minha mente. só isso. repetindo, não sou tão burrinha assim).


ela é um poço de bondade, e é por isso que a cidade vive sempre a repetir: “joga pedra na Geni, joga pedra na Geni, ela é feita pra apanhar, ela é boa de cuspir”.


ah, e mais um adendo sobre a corrida: tô desconfiada que desde que eu admiti para mim mesma (“I’m coming out, I want the world to know”) que eu não gosto de correr, eu tenho me dedicado mais e melhor a ela. parece que corrrer com raiva me estimula bem mais do que essas besteiras de runners’ high e o caralho a quatro. (“coisas de Tracy Jordan”, diria o Cavalca). o discurso de “ai, a sensação de liberdade, as endorfinas, o cenário natural” e sei-lá-mais-o-que são bicho-grilo demais parar combinar comigo. eu corro pra derrotar o inimigo (i.e., a gordura), e o espírito de guerra me cai muito melhor que essa bobageira de correr por prazer.


e aí que teve um dia no ano passado que eu tava pensando e consegui, depois de 24 anos, entender a lógica do horário de verão (porque eu sempre pensei que no verão o certo deveria ser atrasar uma hora, e não adiantar). infelizmente, eu não descrevi no post qual foi a linha de raciocínio que eu utilizei para compreender o conceito e hoje, 11 meses depois, eu voltei a não entender o mecanismo da coisa. não, não faz sentido adiantar uma hora em pleno verão, e eu não entendo por que o fazem. (é meio que nem a história daquele cara que resolveu um teorema e então só escreveu que tinha encontrado provas de que ele funcionava (mas não as provas em si), e depois foi atropelado por uma kombi, virou um vegetal, e nunca teve tempo de demonstrar as provas que havia encontrado — eu acho que eu li uma história assim, sobre um teorema que ninguém conseguiu provar ainda, mas não sei quem são as pessoas envolvidas. parece que tem um nome famoso, os amigos da área de Exatas saberiam explicar melhor que eu).


acabei nem comentando aqui antes, mas: e aquele início à la J. J. Abrams de Tropa de Elite 2, hein?


então que faz um mês que eu voltei a correr consistentemente, do tipo três a quatro vezes por semana, faça chuva ou faça sol. e vou te dizer assim: eu não amo correr, sabe? eu quase nunca tive aqueles baratos de corredor (runners’ high), e mesmo quando tive não achei tudo isso. de todas as atividades que queimam muitas calorias, a corrida é a mais próxima de combinar comigo (envolve constância e repetição, e não envolve contato humano), mas ela pode ser bem tediosa por vezes. eu não entendo como tem gente que corre sem um iPod, por exemplo. eu já gostei mais de correr, já me empolguei em superar meus próprios limites, mas fiquei bem frustrada quando caí num platô, e por isso não quero mais superar limite nenhum: corro sempre meia hora por vez porque sei que esse é um tempo factível mesmo se eu estiver cansada e sem pique (desde que eu tenha a trilha sonora perfeita para isso, claro). e o maior prazer da corrida pra mim vem quando eu paro e finalmente posso respirar direito, tomar um banho, ficar apresentável. correr não é o ponto alto do meu dia.

não, o que eu realmente amo é o efeito do hábito da corrida. correr regularmente é a única coisa no mundo que me faz emagrecer, e depois manter o peso.  nesse um mês, já notei várias calças bem mais soltinhas em mim, já notei que eu comi melhor, já notei que algumas camisas ensaiam poder fechar no peitoral. dieta nenhuma funciona comigo, só corrida. e isso é demais. isso faz valer a pena acordar antes das seis e suar feito uma porquinha em cima de uma esteira antes de qualquer outra atividade no dia. agora, gostar de correr? gostar da atividade em si? não gosto muito, não, pra ser bem sincera. se inventarem a pílula que simula os efeitos da corrida do meu corpo, troco sem hesitar. mas enquanto essa pílula não existe, vou enchendo meu iPod de músicas e correndo duas horinhas por semana, mesmo.


ela: “Um monte de gente acha que eu sou publicitária, mas eu não acho que eu tenho cara de publicitária, não. Tu acha que eu tenho cara de publicitária?”

ele: “Não.”

ela: “Tu acha que eu tenho cara de que?”

ele: “De putinha.”

ela: “Tá, sério. De que?”

ele: “De lésbica.”


eu tenho as melhores amigas do mundo. do tipo que se eu chegar completamente transtornada pedindo conselhos  como “que eu faço? quero largar tudo e entrar pro circo!”, elas me respondem com “massa! não esquece de colocar meu nome na lista VIP do Vostok depois, então”. quer dizer, conselhos adultos e racionais, elas não me dão. mas me entender… elas me entendem :)


meu maior medo, quando eu era criança/adolescente e acreditava que existiam espíritos entre nós, é que eles estivessem me observando enquanto eu tocava uma. e não é porque eu me sentisse culpada ou achasse que o que eu fazia era feio (porque nunca achei nada disso), mas sim porque eu estaria perdendo minha privacidade neste momento tão íntimo. (não confesso nem sob tortura quem me fez lembrar desse fato hoje, durante uma conversa inocente, but there you have it).


acho que um dos motivos pelos quais eu tenho essa verdadeira fobia em ser alguém “popular” na internet (o que na real nem representa muita coisa, mas whatever) é que eu não sei lidar com plateia, e por isso perco completamente a naturalidade. então, se meia dúzia de pessoas me seguem, se só um ou dois comentam (muito de vez em quando), se ninguém faz a big fuss about it, eu posso me comportar como se eu estivesse sozinha (ou quase), e isso daí me faz eu me comportar de modo mais espontâneo. (por exemplo, eu acho que sou mais “eu mesma” aqui, com meus 17 leitores, do que lá no outro, com os meus mais de 100). sim, eu tenho uma dificuldade tremenda em me sentir confortável sob observação. não, eu não sei por que eu insisto em ter esses 5467846 de blogs que eu tenho ou já tive, então. sim, eu sei que eu já fui professora e dava aula para salas lotadas de alunos e por isso deveria saber me comportar em público, mas eu não sei. e com os anos, só piora.


aí ontem eu pensei nessa coisa de eleições, de como eu não tenho candidatos ainda pra nenhuma vaga que não seja a de senador, de como eu voto no Paulo Paim para qualquer coisa que ele se candidatar até o final dos tempos, e me lembrei que na última eleição dele, em 2002, eu consegui convencer meu avô a votar nele. meu avô, anti-PT ferrenho até o último fio de cabelo, votou no Paim porque eu convenci ele de que seria uma boa coisa. aí me lembrei que não tenho mais o meu avô há mais de dois anos. deu saudade. sempre dá muita saudade. depois as pessoas não entendem porque eu só ouço Saudade FM. é como se fosse meu avô de lá de cima dizendo, “votei no teu candidato, agora tu vai ter que ouvir minhas músicas”. tá bom, então, vôzinho :)


cada um tem sua teoria para explicar o que faz de um grupo pequeno de pessoas (um casal, uma família, um bando de amigos, etc), um grupo pequeno e feliz. pra mim é a existência de uma mitologia própria. resumidamente, o que faz um casal (etc.) feliz são as piadas internas. aquelas coisas que só vocês dizem, aquele ritual cheio de significados q quem está de fora não conhece, e se conhecer, não vai entender. por exemplo, aqui em casa o Fabricio tem a mania de fazer versões (espontâneas) absurdamente pornográficas de qualquer música que eu esteja cantarolando. sempre. e o pior é que a maioria delas fica tão boa que a gente começa a cantarolar junto, e entra para o repertório familiar. não, eu não posso divulgar nenhuma dessas canções, a não ser ao vivo, e a não ser para alguém quem conheça nós dois tão bem o suficiente para entender o humor que provém delas. por escrito ficaria somente sujo. mas aqui em casa, é o tipo de coisa que me deixa feliz. (a única desvantagem é nunca mais poder ouvir “Como É Grande o Meu Amor Por Você” e manter a cara séria pelo resto da vida. pena, eu gostava demais dessa música antes de ele estragar ela por completo.)


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